Ficar fora de uma Copa do Mundo é uma das maiores feridas desportivas que uma seleção pode carregar. Mesmo gigantes históricos, com títulos continentais e gerações lendárias, já passaram pelo trauma de uma não-qualificação. Entre elas estão Alemanha, França, Inglaterra, Espanha, Argentina, Itália, Holanda e Portugal, cada uma com o seu episódio marcante de decepção. No meio deste cenário repleto de quedas inesperadas, apenas uma potência permanece intocável: o Brasil, a única seleção do planeta presente em todas as edições do Mundial desde 1930.
A história das eliminatórias está repleta de surpresas. A Itália, tetracampeã do mundo, falhou duas vezes seguidas, em 2018 e 2022, chocando o planeta e abrindo debates profundos sobre o declínio estrutural do futebol italiano. A Holanda, conhecida por reinventar o jogo com o seu “futebol total”, ficou de fora em 1986, 2002 e 2018. A Inglaterra, berço do futebol, não marcou presença em 1974, 1978 e 1994, enquanto a França surpreendeu ao falhar em 1990 e 1994, mesmo com o talento que a levaria a ser campeã em 1998. A Argentina, bicampeã, também já viveu o susto: falhou a edição de 1970 após uma campanha desastrosa nas eliminatórias sul-americanas. E mesmo a poderosa Alemanha Ocidental ficou de fora em 1950, numa ausência que misturou desporto e contexto político do pós-guerra.
No meio de tantos gigantes que já tombaram, Portugal encontrou no seu passado um capítulo que permanece como alerta histórico. A Seleção falhou edições importantes mesmo tendo talentos extraordinários. A década de 90 é o exemplo mais simbólico: apesar de possuir uma das melhores gerações do mundo, com Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto e tantos outros, Portugal falhou a Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, num apuramento que ainda hoje é lembrado pela frustração e por erros decisivos. Antes disso, deixou escapar também os Mundiais de 1970, 1974, 1978, 1982 e 1990. Só a partir de 2002, com a consolidação da geração de ouro e depois a ascensão de Cristiano Ronaldo, a Seleção Nacional entrou definitivamente no mapa permanente das grandes competições, participando em todas as Copas do Mundo do século XXI.
A exceção absoluta deste panorama é o Brasil. Desde a primeira bola rolada num Mundial, em 1930, a Seleção Canarinha nunca falhou uma edição sequer. Nem crises internas, nem mudanças políticas, nem derrotas traumáticas impediram a presença do país que transformou o futebol em cultura e identidade. Cinco títulos mundiais depois, continua a carregar o peso – e o orgulho – de ser a única seleção historicamente infalível no apuramento.
Entre quedas improváveis, campanhas traumáticas e reviravoltas inesperadas, a história mostra que nenhuma seleção está imune ao fracasso. Portugal sabe bem como essas ausências moldam gerações. E, ao mesmo tempo, também aprendeu a transformar as frustrações em evolução – o que explica o peso crescente da Seleção Nacional no panorama internacional desde os anos 2000.


