Nova política de segurança pode afectar milhões de adeptos
Viajar para os Estados Unidos durante a Copa do Mundo de 2026 poderá implicar um nível de vigilância sem precedentes. O governo norte-americano está a planear novas medidas de segurança que obrigariam turistas a fornecer informações detalhadas sobre a sua actividade digital, incluindo redes sociais, contactos telefónicos e endereços de email.
A proposta foi divulgada pela Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, que apresentou um plano prevendo a recolha de dados pessoais mesmo de cidadãos de países que actualmente não necessitam de visto para entrar no país.
Medida atinge países aliados e adeptos europeus
Caso seja aprovada, a nova regra aplicar-se-á aos 42 países que integram o programa de isenção de visto, abrangendo nações como Reino Unido, França, Alemanha, Japão e Austrália. Na prática, milhões de adeptos europeus que planeiam acompanhar a Copa do Mundo poderão ser directamente afectados.
Entre as exigências previstas está a obrigação de declarar toda a actividade nas redes sociais dos últimos cinco anos, bem como os números de telefone utilizados nesse período. Os viajantes também teriam de fornecer os endereços de email usados na última década.
Dados biométricos e informações familiares no pacote
O plano vai ainda mais longe ao prever a recolha de dados biométricos sensíveis, como reconhecimento facial, impressões digitais, íris e até DNA. Além disso, os turistas poderão ser obrigados a fornecer informações detalhadas sobre membros da família, incluindo nomes, datas e locais de nascimento, moradas e dados relativos a crianças.
Segundo a agência norte-americana, o objectivo é criar um sistema de rastreamento mais completo para todos os estrangeiros que pretendam entrar ou permanecer nos Estados Unidos.
Origem política e endurecimento do controlo migratório
A proposta faz parte de uma ordem executiva assinada por Donald Trump em Janeiro, que determina que todos os estrangeiros sejam examinados “ao máximo possível”. A medida insere-se numa política mais ampla de endurecimento do controlo migratório e de reforço da vigilância interna.
Embora ainda esteja em fase de proposta, o plano já gera preocupação entre organizações ligadas aos direitos humanos e ao desporto.
Críticas do movimento de adeptos
Representantes de adeptos europeus reagiram de forma contundente à iniciativa. Para Ronan Evain, director executivo da Football Supporters Europe, a política representa uma violação clara de direitos fundamentais.
Segundo Evain, a liberdade de expressão e o direito à privacidade são direitos humanos universais e não devem ser colocados em causa pelo simples facto de atravessar uma fronteira. Na sua visão, a medida cria um ambiente de vigilância que entra em choque directo com os valores de abertura e celebração cultural associados a um Mundial de futebol.
Impacto no espírito da Copa do Mundo
A Copa do Mundo de 2026 será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, com os EUA a receberem a maioria dos jogos. A possibilidade de um controlo tão rigoroso sobre adeptos estrangeiros levanta dúvidas sobre o ambiente do torneio e sobre a experiência dos fãs que planeiam viajar para apoiar as suas selecções.
Enquanto a proposta não é oficialmente aprovada, cresce a pressão internacional para que as autoridades norte-americanas revejam o plano. Para muitos adeptos, a grande questão já não é apenas o futebol, mas até que ponto vale a pena pagar o preço da vigilância para viver o maior espectáculo do desporto mundial.


