A final do Campeonato Mineiro de 2026, disputada no dia 8 de março no Mineirão, em Belo Horizonte, terminou com um dos episódios mais caóticos do futebol brasileiro. O Cruzeiro venceu o Atlético-MG por 1-0 e conquistou o título estadual, mas a decisão ficou marcada por uma briga generalizada que resultou em 23 expulsões, o maior número registado num jogo no Brasil.
O único golo da partida foi marcado pelo avançado Kaio Jorge, aos 14 minutos do segundo tempo, garantindo ao Cruzeiro o primeiro título mineiro em vários anos e travando as ambições do rival Atlético-MG.
Um clássico intenso desde o início
Como acontece frequentemente no Clássico Mineiro, o ambiente no Mineirão foi de enorme tensão. O jogo foi disputado, com muitas faltas e duelos físicos, mas manteve-se controlado durante grande parte dos 90 minutos.
O Cruzeiro conseguiu chegar ao golo na segunda parte e passou a defender a vantagem. O Atlético-MG pressionou em busca do empate, mas encontrou uma defesa organizada e não conseguiu alterar o resultado.
A decisão parecia encaminhada para um final normal, até aos minutos finais dos descontos.
O momento que desencadeou a confusão
A confusão começou após um lance entre o médio Christian, do Cruzeiro, e o guarda-redes Éverson, do Atlético-MG. Depois de uma disputa de bola, o guarda-redes reagiu com agressividade e partiu para cima do adversário, chegando a derrubá-lo no relvado.
A reação imediata dos jogadores do Cruzeiro desencadeou uma briga generalizada, com atletas de ambas as equipas, suplentes e membros das comissões técnicas envolvidos. Trocaram-se socos, pontapés e empurrões, obrigando a intervenção de seguranças e da polícia para separar os jogadores.
Entre os protagonistas do tumulto esteve o experiente avançado Hulk, um dos nomes mais conhecidos do Atlético-MG, que acabou igualmente envolvido nas agressões durante o caos em campo.
23 expulsões: um recorde no futebol brasileiro
Curiosamente, nenhum cartão vermelho foi mostrado durante a confusão em campo, devido ao tamanho do tumulto. O árbitro Matheus Candançan decidiu encerrar a partida e registou todas as agressões posteriormente na súmula oficial.
O documento divulgado depois do jogo confirmou 23 expulsões no total:
- 12 jogadores do Cruzeiro
- 11 jogadores do Atlético-MG
Entre os expulsos estavam vários titulares das duas equipas, incluindo nomes como Cássio, Fagner, Fabrício Bruno, Kaio Jorge e Lucas Romero pelo Cruzeiro, além de Éverson, Hulk, Junior Alonso, Renan Lodi e Lyanco pelo Atlético-MG.
O número superou o antigo recorde do futebol brasileiro, que era de 22 expulsões numa partida em 1954, tornando-se o maior já registado no país.
Um título histórico, mas manchado pela violência
Apesar da vitória e da conquista do troféu, o episódio gerou forte repercussão no Brasil e internacionalmente. O confronto foi descrito por vários meios de comunicação como uma “batalha campal” que ultrapassou os limites do desporto.
Agora, os jogadores envolvidos aguardam possíveis suspensões disciplinares, que poderão ter impacto nas primeiras jornadas das competições nacionais da temporada.
Para o Cruzeiro, o título encerra um período sem conquistas estaduais e representa um momento de afirmação. Para o Atlético-MG, a derrota e o caos final deixam marcas num dos clássicos mais intensos do futebol brasileiro.
O Clássico Mineiro, conhecido pela rivalidade histórica entre os dois clubes, ganhou assim mais um capítulo — mas desta vez pelos motivos errados.


