Quando se pensa no Real Madrid nas últimas duas décadas, há um nome que inevitavelmente se destaca: Florentino Pérez. Oficialmente, o Real Madrid continua a ser um clube de sócios — uma entidade gerida por eleições e propriedade dos seus associados. Na prática, contudo, ninguém exerceu tanto poder e influência na sua história recente como Florentino. Presidente em vários mandatos, ele não é “dono” do Real Madrid, mas tem sido, sem dúvida, a figura mais determinante do clube no século XXI.
A chegada e a revolução Galáctica
Florentino Pérez assumiu pela primeira vez a presidência do Real Madrid em 16 de julho de 2000, sucedendo a Lorenzo Sanz. Desde o início que a sua visão foi ambiciosa e clara: transformar o Real Madrid no clube mais poderoso e influente do futebol mundial, não só dentro de campo, como também fora — em termos de marca global, receitas e capacidade de atração de estrelas internacionais.
Uma das suas primeiras e mais icónicas decisões foi lançar o que ficou conhecido como era dos “Galácticos”. A política de “comprar a maior estrela possível” transformou o Real Madrid num verdadeiro sonho de craques. Depois de já ter contratos como os de Luís Figo, Zidane e Ronaldo (o Brasileiro), Florentino garantiu Ronaldo Fenómeno, David Beckham, Michael Owen e Roberto Carlos, entre outros, criando uma equipa com talento e brilho mediático sem precedentes. A estratégia tinha um duplo objectivo: garantir sucesso desportivo e, ao mesmo tempo, fortalecer a marca Real Madrid a nível global.
Sucesso desportivo e controvérsia
Os primeiros anos de presidência de Pérez trouxeram títulos importantes, incluindo a Espanhola e a UEFA Champions League. No entanto, a era Galáctica também foi alvo de crítica. Muitos analistas e adeptos questionaram se o modelo de superestrelas era sustentável a longo prazo e se realmente garantia consistência desportiva, sobretudo depois de eliminações inesperadas em fases decisivas de competições europeias.
Mesmo assim, sob o comando de Florentino, o Real Madrid continuou a conquistar troféus e prestígio internacional. A política de contratações milionárias tornou-se um símbolo, mas também fomentou o debate sobre o equilíbrio entre compras caras e desenvolvimento de talentos vindos da formação.
O regresso aos sucessos continentais
Após um intervalo fora da presidência, Florentino Pérez regressou ao comando do clube em 2009, e esta segunda fase foi ainda mais marcante. O Real Madrid voltou a dominar em Espanha e, sobretudo, na Europa. A conquista de quatro Champions League em cinco anos (2014, 2016, 2017 e 2018) — muitas delas marcadas por jogos memoráveis — consolidou a sua influência no projecto desportivo.
Este período viu a ascensão de uma geração marcada por nomes como Cristiano Ronaldo, Sergio Ramos, Luka Modrić e Karim Benzema (este último vencedor da Bola de Ouro em 2022). A aposta contínua em estrelas e em investimento pesado em contratações colocou o Real Madrid novamente no topo do futebol mundial.
O poder dentro do clube
Oficialmente, o Real Madrid é um clube de sócios — são os sócios que elegem a presidência e o conselho diretivo. Mas a realidade prática tem mostrado que florentino exerce um grau de influência que poucos presidentes na história do clube alcançaram. Desde estratégias de mercado até projectos de grande dimensão (como a renovação do Estádio Santiago Bernabéu e a expansão de receitas comerciais), Pérez tem sido o principal arquitecto das decisões que moldaram o Real Madrid moderno.
Para muitos críticos, essa concentração de poder levanta questões sobre o equilíbrio entre a vontade dos sócios e as decisões executivas do presidente. Para outros, a liderança de Florentino é a razão pela qual o Real Madrid continua a estar no topo do futebol mundial, mesmo em tempos de crescente competição financeira entre clubes.
Mais do que um presidente, uma marca
Ao longo de mais de 20 anos de ligação (com interrupção entre 2006 e 2009), Florentino Pérez tornou-se uma figura incontornável. Alguns vêem-no como o principal responsável pela modernização e globalização do Real Madrid; outros criticam a sua ênfase no poder económico e no estrelato individual. Independentemente do ângulo, é inegável que o seu impacto é profundo e duradouro.
Hoje, quando se fala do Real Madrid — seja em transferências milionárias, em planos estruturais ou em conquistas europeias — o nome de Florentino Pérez aparece quase sempre no centro da narrativa. E apesar de não ser o “dono” formal do clube, a sua influência faz com que muitos o vejam como tal.


